Eu e o romance

by - maio 06, 2020


"Preciso me shippar comigo mesmo por um tempo." - "E se fosse a gente?", de Becky Albertalli e Adam Silvera



  Salut!
  Há um tempo atrás eu escrevi (em outro blog) sobre o fato de eu não poder ser romântica e, bom, eu estava certa. Na época, usei argumentos simples e lógicos (para a minha realidade) e ainda usei referências ao filme "Um final de semana em Hyde Park"; e aí o tempo passou, eu envelheci e passei a me questionar se estava certa sobre isso...
  Não lembro mais o que escrevi naquele texto, mas posso afirmar que estava correta. A única coisa que realmente mudou sobre isso, foi o fato de que agora meus argumentos estão bem melhores.
  E eu nem ia escrever de novo sobre isso, mas essa frase nesse livro, essa grifadinha em rosa, escrita pela maravilhosa da Samanta Holtz (é, eu vou falar dela pelo resto da minha vida e ponto), me fez querer falar mais sobre. "Repetir o enredo", para que eu mesma veja se ele continua a fazer sentido daqui há alguns anos.
  (Eu sei que vai, porque meu crush deu óbito e eu sou uma baita chata, então...)
  Ter um romance fofinho com uma protagonista com o mesmo nome que o meu foi uma grande "conquista" e eu falei disso muito feliz e emotiva (apesar de ter parecido que eu estava super irritada), mas isso não me fez voltar a acreditar no amor. E não, pessoas que me conhecem, meu descrer no amor não se baseia nesse ou naquele relacionamento que deu errado ao meu redor (mesmo porque, muito provavelmente, os casamentos ao seu redor que deram certo só estão "ok" porque uma das partes está completamente infeliz por dentro enquanto sorri e acena), mas sim em uma constatação de que o amor romântico só é lindo e funcional porque ele não é real.
  Ah, tudo bem, talvez eu até acredite nesse ou naquele relacionamento, mas a grande maioria esmagadora é só um bando de papagaiada. E, no fim das contas, eu amo ler e assistir essas coisas, mas estou completamente ciente da impossibilidade de isso tudo funcionar na vida real. Especialmente comigo.
  Quando eu li essa frase da Holtz, até pensei: "Que lindo e poético! É isso, Mallú! Você só precisa ser encontrada..."
  Só que a paranoia imbecil passou dois segundos depois porque é fato que "de duas, uma": ou a pessoa que deveria supostamente me encontrar tomou todas, caiu no rio e veio a dar falência; ou eu não sou uma mulher como as outras.
  E vamos ser completamente sinceros: eu estou mais para ser uma mulher muito diferente das outras, do que para o sujeito ter morrido. A menos que ele seja o Kurt Cobain, mas como defuntos que teriam idade para ser meu pai não estão em debate, fico com a segunda hipótese.
  A verdade é que eu não posso ser romântica fora do panorama artístico, porque eu sou chata e exigente. E nem é um chata e exigente do tipo ciumenta, porque ciúmes é uma parada que nem é real (se você tem ciúmes: ou você não confia na sua respectiva companhia ou você não entende que corno é algo que todo mundo vai ser um dia, e que morrer de ciúmes não resolve em nada o problema das "estatísticas da galhada"). Eu sou do tipo chata e exigente com o lance da fofura mesmo.
  Gente, eu li, assisti, ouvi e escrevi tanto sobre romance (isso e o fato de ter nascido justo no dia de São Valentim) que eu não aceitaria qualquer porcaria não. E, veja bem, não estou falando de dinheiro.
  Eu ia querer O cara. Aquele tipo de pessoa brega que faz serenatinha fofa, arma piqueniques na sala de casa, beija na chuva, deixa recadinho de amor preso na geladeira e diz "eu te amo" só depois de um tempo juntos. Agora enfia essas informações em uma panela, misture com a idade ideal, a aparência do Kurt Cobain (ou o mais próximo disso possível) e tente encontrar a parte da receita onde o sujeito não poderia gostar de futebol, não bebesse e não fumasse, mas amasse ler uns calhamaços e debater sobre filosofia, literatura inglesa e assistir Ballet.
  Viu? Meu padrão é alto e não porque estou focada em clichês hollywoodianos ou porque criei expectativas. Meu padrão é alto porque eu quero um cara que não existe. E eu quero um cara que não existe porque assim eu posso seguir sendo feliz com o meu estilo de vida e nunca me decepcionando.
  "Mas você tem medo de se decepcionar?"
  Não, porque decepção é uma coisa que eu tiro de letra, pois: diga-me alguém que NUNCA me decepcionou e eu deixo você me atirar uma pedra na cabeça. E eu já decepcionei mais um monte de gente também... A vida é mais quedas e desilusões do que sei lá o que.
  O problema em me decepcionar é que eu pego um ódio da pessoa... Não sou vingativa, mas fico irritada a ponto de ser cruel até com quem não tem nada a ver com a história, só porque é amigo/amiga ou parente de quem eu quero que suma. E, me diz: para quê me gerar ódio? Só por causa de uma ideia social de que amar é bom, lindo e que, muito talvez (e isso sou eu me achando um pouco só por causa do nome da protagonista da Holtz), porque "mulheres como eu são encontradas"? Me poupa, me economiza e me esquece no banco.
  Olha, eu acho lindo o amor artístico (livros, poesias, filmes, músicas e vida dos outros), mas não tenho um pingo de paciência nem para amizades. Por que perderia e estragaria meu amor pelo amor artístico por causa de um cara que ou vai terminar um relacionamento comigo com as duas partes se odiando ou vai acabar um relacionamento comigo com um dos dois morto (bem na ideia do "até que a morte os separe", não como assassinato).
  É, Universo, eu sou a garotinha romântica clichê estatística, mas estou me lixando para a ideia de que eu preciso ser encontrada ou encontrar alguém.
  E não, não estou criticando o romantismo de Samanta Holtz, porque eu amo qualquer coisa que essa mulher escreve e, parafraseando Hazel Grace: "eu leria até a lista de compras" dela.
  O fato é que eu e o romance não podemos existir na mesma sentença, e maravilha. Não, eu não estou frustrada ou amargurada ou infeliz com esse fato. Claro que não sou hipócrita e que, às vezes, não fico me sentindo meio mal, porque eu realmente não sou como as outras mulheres (não sou nada atraente, nada padrão e muito menos "mulherão sexy"), mas isso sempre vira piada e eu assumo com o peito estufado de orgulho: o amor não vai acontecer para mim. Eu não vou me apaixonar. E sim, eu já achei que estava apaixonada (pode ler esse comentário com voz de tédio e devagar, porque o ranço a essa fase da minha vida é real), mas eu sei que o destino não vai mudar minha visão sobre isso, porque eu e ele (o destino) sabemos que estar solteira, lendo e escrevendo, e fazendo as minhas paradas é algo muito mais valioso.
  Com amor...
  P.S.: eu sei, você agora está meio perdido/perdida porque só ouve que aquarianos são seres sem coração e frios e alheios ao romance. E eu não sou alheia ao romance, sou aquariana e só parece que sou coração de gelo. Na verdade, encarar minha inadequação para viver um romance me faz muito mais pé no chão que você provavelmente seja, mas também me torna mil vezes mais propensa a chorar em casamentos, me acabar em livros românticos e comer doces enquanto assisto a filmes de comédia romântica. Eu sou uma piada.

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