Texto pessoal: Uma pausa

"Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações." - "A culpa é das estrelas", de John Green


  Queridos leitores, essa é uma foto antiga, ela já pertenceu à outro texto, mas hoje ela faz parte deste.
  Eu queria que esse fosse um texto feliz, uma alusão de realização e de felicidade, mas eu não estou me sentindo assim.
  Quero deixar claro, antes de mais nada, que o blog sempre foi algo importante para mim...
  Quem me acompanha, e eu sei que existem alguns de vocês por aí, sabe o quanto eu me esforço, mesmo com tudo que sinto, para mantê-lo de pé.
  Acho que as pessoas se esqueceram de notar que esse blog não é um hobby, não é um trabalho... Esse blog é um diário.
  Eu não me sento aqui, ÓBVIO, para escrever sobre a minha depressão. Não vou ficar falando sobre o quanto eu sofri, sobre o que passei e como passei. Não é certo, como me ensinou a minha mãe, que fiquemos exibindo os nossos problemas para as pessoas de maneira pública.
  Assim como não faço por aqui, não faço pelo Instagram.
  Eu não escondo nada de ninguém. Mas também não fico endeusando a minha doença.
  Acho engraçado que, por questões pessoais, eu seja obrigada a me sentir pequena, submissa e suja.
  É, eu estou me sentindo suja como ninguém.
  Não vem ao caso a situação, mas recentemente eu fui acusada de futilidade por manter um blog e um Instagram. Fui acusada de futilidade!
  Fui acusada de gozar de plena saúde, física e psicológica, só porque ouso tentar me erguer.
  O blog?
  Sem mistérios para ninguém... Eu tratei com uma psiquiatra que me sugeriu a criação do blog. Isso não foi uma futilidade.
  Futuramente, com a interrupção do tratamento com essa psiquiatra, o blog seguiu sendo um refúgio, um lugar onde eu venho para falar sobre livros porque eu não tenho ninguém para conversar sobre.
  O Instagram foi mantido para trazer, se possível, pessoas para o meu convívio que queiram discutir essas pautas e para que eu publique fotos minhas, do meu rosto e do meu corpo, porque eu tenho uma autoestima de m****.
  Não, esse não é um texto de vítima. Esse é um texto de guerreira.
  Eu estou no fundo do poço. Estou ofendida pela incapacidade da pessoa de me conhecer. Estou ofendida pela insensibilidade com um problema grave que, na cabeça dela, não faz sentido só porque eu sou "fútil e ostensiva".
  OSTENSIVA!
  Foi o que eu tive que aguentar... Que mostrar como a pouca felicidade que me dá fazer as minhas próprias unhas é ostensivo.
  Se essa pessoa medíocre e pequena, que tenta agir como se de fato tivesse me dedicado amor durante toda a vida, fosse mesmo conhecedora da minha situação emocional e psicológica, saberia que eu mantenho essas redes para me sentir melhor comigo mesma o máximo possível.
  Eu tenho um recado para você, infeliz desavisado, falso e pequeno, que me acusou de tudo isso: eu vou me erguer.
  Isso não é uma ameaça, é uma promessa.
  Eu vou fazer aquilo que a minha mãe me ensinou: EU NÃO VOU ME ABALAR.
  Quem cai, levanta. Você me atingiu mais psicologicamente do que outra coisa. Pode ter certeza disso.
  Eu não estou humilhada de pedir tempo para as pessoas. Não estou humilhada de pedir ajuda. Não estou humilhada de ter orgulho de conseguir fazer as minhas próprias unhas. Nem de manter um blog solitário que me faz sentir completa por falar de livros para todos e para ninguém.
  Eu não estou humilhada. Porque eu sou doente, estou frágil, mas tenho dignidade. Eu tenho orgulho de ter conseguido me erguer da cama nesses últimos dois anos.
  Tenho orgulho de escrever muito bem. Tenho orgulho de ter terminado, sozinha, cursos de idiomas que o dinheiro não cobriria. Tenho orgulho de gastar as solas dos meus sapatos no asfalto quente para comprar comida (que é o básico que uma pessoa precisa para sobreviver: comida). Eu tenho orgulho de ser mais mulher do que um dia você já se disse homem.
  Eu sou mais do que tudo isso.
  Não sou a vítima, sou a guerreira. Eu posso estar abalada pela ofensa de ser chamada de fútil, de ostensiva e de preguiçosa. Mas eu não estou abalada por você e pela sua pequenez.
  Resumindo: não estou emocionalmente preparada para seguir com o blog agora e peço paciência e compreensão de quem me acompanha.
  Desde já eu agradeço o carinho que recebi. O blog será deixado no ar com os posts que já foram publicados, mas a partir de hoje ele não terá atualizações por algum tempo. Assim que eu conseguir me organizar, psicologicamente falando, eu vou voltar com a rotina normal do blog. Espero realmente que seja apenas um intervalo rápido de poucas semanas.
  Me perdoem!
  Obrigada!
  Eu volto. Prometo. Eu sempre volto.
  Com amor, Mallú.

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