Cultura inútil: Tsar vs. Czar - explicação

"Seria realmente o último lar de 'Nicolau, o sanguinário'?"


  Queridos leitores, eu adoraria começar falando que esse é um problema exclusivo da Wikipedia, mas a verdade é que esse é um erro fatal de comunicação que está perambulando por todo o ciberespaço.
  Tudo bem. Isso não rola só na internet.
  Nós estamos acostumados a ver livros, artigos e diálogos onde o governante superior da antiga Rússia é chamado de czar. E, ao mesmo tempo, nos deparamos com biografias e materiais especializados em história russa em que a mesma pessoa é chamada de tsar.
  Essa falha de comunicação (e sim, é uma falha de comunicação) gera duas reações: a) dedução do leitor leigo de que as duas palavras são sinônimos; b) dúvida de qual delas usar.
  Eu sou o tipo de pessoa que se encaixa na segunda alternativa, então, depois de pesquisar sobre, decidi que compartilhar essa informação poderia ser útil para o mundo virtual.
  Quando estamos nos referindo ao soberano da Rússia, devemos dizer tsar. T-S-A-R.
  Isso mesmo. Tem jeito certo...
  "Nicolau II, o tsar de toda a Rússia."
  E aí vocês se perguntam: "Onde aparece czar, então?"
  Bom, antes de continuar, quero dizer que ambos estão, em sentido de tradução, corretos e que a Academia Brasileira de Letras reconhece ambos, mas ainda assim, czar está errado.
  A palavra tsar não tem tradução e é aqui que surge o problema.
  Czar é uma palavra sinônimo para o termo imperador. Czar vem de Júlio César, antigo imperador romano, e foi aceito aqui no Brasil porque temos, querendo ou não, uma grande influência inglesa.
  Como a maioria das pessoas aqui no Brasil chama o soberano russo de imperador, e czar é um sinônimo para essa palavra, o termo acabou sendo reconhecido para essa finalidade. Mas não deveria.
  Parece uma coisa boba, mas para os russos têm diferença, e é sempre bom respeitar a língua alheia, especialmente porque gostamos de ser respeitados.
  Sei que o post de hoje foi super curto, mas espero que tenham gostado dessa curiosidade linguística e que apliquem essa regra de respeito ao idioma alheio ao seu cotidiano.
  Com amor, Mallú.

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